O bairro do Batel é, hoje, considerado o “filé mignon” imobiliário de Curitiba. De área residencial, marcada por casarões dos “barões do mate”, na última década o bairro rapidamente transformou-se em pólo comercial voltado para os públicos A e B. Além de shopping center e pontos comerciais de luxo, o Batel viu sua principal via, a Avenida Batel, transformar-se em eixo de gastronomia e diversão, com intensa vida noturna, de domingo a domingo.
Glamuroso, chique, bem localizado – faz divisa com o Centro, Bigorrilho, Água Verde, Seminário e Campina do Siqueira – o Batel é símbolo da mistura de tradição e modernidade que tem marcado a capital paranaense nas duas últimas décadas.
O nome Batel virou até grife imobiliária: muitos empreendimentos erguidos em regiões próximas ao bairro são anunciados como estando no Batel, quando na verdade estão em bairros vizinhos, mas já fora da divisa oficial do bairro mais valorizado da cidade.
Ao lado de casarões antigos preservados e restaurados para novas funções – como o Castelo do Batel, que foi residência do governador Moisés Lupion e agora é local de festas e eventos – estão modernas construções arquitetônicas, como prédios comerciais e residenciais, restaurantes e casas noturnas. Também os moradores antigos do bairro convivem, agora, com os novos habitantes e com o intenso fluxo de veículos e pessoas que trabalham na região.
Conta o historiador Francisco Negrão que em 1854 um alfaiate curitibano montou uma pequena embarcação, toda enfeitada e recheada de comes e bebes, para participar de festejos religiosos em São José dos Pinhais. Mas, ao voltar da festa pela antiga Estrada do Mato Grosso – que desembocava na via que hoje é a Avenida Batel – o barquinho encalhou em um desnível de terra e por ali ficou. Como “batel” é sinônimo de embarcação pequena, quem passava por ali começou a usar o barco como referência de localização: “lá onde está o batel”, “lá no batel”, e assim ficou nomeado o bairro.
Há outras versões para a origem do nome do bairro, mas esta é a mais aceita. Consta inclusive que o barquinho do alfaiate teria ficado encalhado no local onde hoje é a Pracinha do Batel, um dos símbolos do bairro.
Desde o século XVIII o Batel é região de importância vital para Curitiba. A Avenida Batel era um caminho de tropeiros, que ligava a capital à região dos Campos Gerais (Campo Largo e Ponta Grossa). A então Estrada do Mato Grosso começava onde hoje está a Rua Comendador Araújo, seguia pela Batel, Bispo Dom José e Eduardo Sprada, até onde hoje está a represa do rio Passaúna.
Adiante da represa, a Estrada do Mato Grosso mantém até hoje o antigo nome e leva até Campo Largo em paralelo à BR-277, a chamada Rodovia do Café.
A partir dos anos 1900, o crescimento da indústria da erva-mate e das madeireiras trouxe impulso ao Batel. Ali se instalaram grandes ervateiras, madeireiras, pequenas indústrias, e foram construídas as mansões de seus proprietários.
O bairro seguiu com perfil estritamente residencial até meados dos anos 90, quando começaram a se instalar mais restaurantes e pontos de comércio ao longo da Avenida Batel. A inauguração dos shoppings Crystal e Novo Batel impulsionou o comércio e começaram a chegar os bares e casas noturnas.
Muitas residências antigas foram derrubadas para dar lugar a comércio, serviços e edifícios, mas o Batel ainda resguarda boa parte dos casarões que lhe deram fama de bairro requintado e de “boas famílias”.
Hoje, quem mora no Batel tem de tudo à disposição. Se a Avenida Batel concentra a maior parte do comércio, serviços, agências bancárias e gastronomia, na Avenida Vicente Machado criou-se uma espécie de “pólo de saúde”, com diversas clínicas e consultórios instalados em casas que já foram residenciais.
Já as pequenas ruas transversais, escondidas dos olhos de quem transita pelas vias mais movimentadas, ainda conservam a tranquilidade dos tempos idos: residências novas e antigas, com grandes quintais, muito verde e um jeitão de Curitiba de antigamente. Com a vantagem de estar a dois passos do Centro e de toda a agitação do bairro.
Recentemente, os moradores do Batel – que amam e defendem o bairro com grande motivação – protestaram contra um projeto da Prefeitura que previa cortar ao meio a tradicional Pracinha do Batel. Seria para abrir a passagem entre as ruas Desembargador Costa Carvalho e Carneiro Lobo, melhorar o fluxo de veículos e beneficiar mais um shopping-center, que está para ser construído no terreno próximo à praça, conhecido como Bosque dos Gomm. Com a mobilização dos moradores, o projeto está parado.
Mas, logo depois, a população foi surpreendida com outra mudança de porte. O tradicional Clube Juventus saiu de sua sede campestre na Rua Carlos de Carvalho após um incêndio, e o imenso terreno foi partido ao meio, para abertura de mais uma rua – continuação da Desembargador Costa Carvalho em direção ao Bigorrilho.
No local onde estava o clube, será construído um shopping de decoração e arquitetura, seguindo a vocação natural da Carlos de Carvalho, que abriga diversas lojas de alto nível voltadas para decoração de interiores.
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