Uma cidade dentro de Curitiba: assim pode se definir o Boqueirão, um dos maiores e mais populosos bairros da cidade. Com a Avenida Marechal Floriano como eixo principal, levando ao Sul e Sudeste, à BR-116 e São José dos Pinhais, através dos eixos onde circulam ônibus Expressos e Ligeirinhos, o bairro desempenha papel importante no crescimento e desenvolvimento urbano da capital paranaense.
Foi a geografia da região que levou os primeiros moradores a batizar o bairro. Boqueirão significa “cova profunda”, ou terreno úmido e alagadiço. Antes de ser loteada, a região era um imenso descampado pertencente a uma fazenda, com muitas regiões de banhado, devido à proximidade com os rios Iguaçu e Belém. A fazenda Boqueirão pertencia a Manoel Antônio Ferreira e era usada para criar gado, principalmente.
Foi nas décadas de 30 e 40 que os primeiros habitantes da região pegaram pás e enxadas para melhorar a estrutura do bairro, abrindo ruas que seriam caminhos para o centro da cidade, e fazendo obras para drenar os banhados e diminuir o lamaçal.
A participação dos soldados do Exército também foi muito importante para o desenvolvimento do bairro. Eles trabalharam nas obras em troca da área do quartel, instalado na Marechal Floriano.
Em 1933, as famílias proprietárias da fazenda – que já havia sido subdividida para os herdeiros de Manoel Ferreira – fundaram a Companhia Territorial Boqueirão. Até então, eles usavam as fazendas apenas para passar férias – afinal, as terras ficavam longe da “cidade”. No ano seguinte, começou a venda de lotes.
Por muito tempo, aquela área foi vista como imprópria para desenvolvimento imobiliário e vista apenas como região agrícola, por causa da geografia difícil.
Os menonitas – grupo de alemães e holandeses fugidos da Rússia comunista, que havia confiscado suas terras - que ali se estabeleceram na década de 30, contribuíram também imensamente para o crescimento e infra-estrutura do Boqueirão. Cultivando gado e vendendo leite para toda a cidade, os menonitas foram presença vital para o bairro. Ali nasceu a Cooperativa dos Laticínos da Cidade, a Clac, a partir da proibição da venda do leite cru em Curitiba. Unindo os leiteiros em torno de uma unidade para pasteurizar, embalar e distribuir o leite, a cooperativa deu grande impulso ao bairro. O Boqueirão guarda sinais dos menonitas, até hoje presentes na região: a Escola Erasto Gaertner e a praça dos Menonitas são alguns dos mais importantes.
Na década de 70, as coisas começaram a mudar, quando um grupo de moradores se uniu através da Associação Comunitária Santo Inácio para exigir, da prefeitura, melhorias para o bairro. Até então, a urbanização alcançava apenas o Hauer. O Boqueirão ganhou, então, escolas, posto de saúde e outros benefícios, como a canalização do Belém e a abertura da continuidade da Marechal Floriano.
E nos anos 80, com a implantação dos eixos de transporte coletivo, o Boqueirão venceu definitivamente um de seus principais problemas – o isolamento e a distância do centro.
Já nos anos 90, a implantação do Pólo das Malhas, complexo de lojas de tecidos e vestuário, e a construção da Rua da Cidadania do Boqueirão traziam a modernidade ao bairro. Hoje, o Boqueirão tem vida própria: os moradores dispõem de todo tipo de comércio, serviços, agências bancárias, escolas e atendimento de serviços públicos.
Além da Rua da Cidadania e das diversas escolas e postos de saúde instalados no bairro, outra referência da região é o Parque Náutico Iguaçu.
Situado no Sudeste de Curitiba, o Boqueirão faz divisa com os bairros Uberaba, Hauer, Xaxim e Alto Boqueirão.
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