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Sábado, 22 de novembro de 2008 | Atualizado diariamente às 12 horas

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São Francisco

Pequenininho, charmoso, cheio de história e de diversão. Assim pode se descrever o bairro do São Francisco, colado ao Centro de Curitiba, que abriga boa parte do Setor Histórico da cidade, com atrações como a casa e a igreja mais antigas construídas na capital paranaense. Muita gente que caminha pelas calçadas do Largo da Ordem pensa estar no Centro, mas está no São Francisco.

As origens e o nome do bairro se confundem com a história da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas. O primeiro nome pelo qual se denominou a região foi Pátio de Nossa Senhora do Terço. A partir de 1752, com a transferência da igreja – hoje chamada de Igreja da Ordem e a mais antiga da cidade - aos religiosos franciscanos, o local passou a ser chamado de Pátio de São Francisco das Chagas. Essa nomenclatura sobreviveu durante todo o século XVIII até meados do século XIX.

Em 1860, documentos já registram o nome de Largo da Ordem Terceira de São Francisco. O tempo e a tradição popular foram encurtando o nome do bairro. No início do século XX, os primeiros mapas com divisão de bairros já indicam a região com o nome de São Francisco.

Fazendo divisa com o bairro Bom Retiro (ao norte), Centro (ao sul), Mercês (a oeste) e Centro Cívico (a leste), o São Francisco, apesar de colado ao miolo e ao burburinho da cidade, parece intocado em muitas de suas ruas. Parte do bairro quase não recebe lançamentos imobiliários – no trecho próximo ao Cemitério Municipal de São Francisco de Paula praticamente não se vê prédios, e sim ruas arborizadas com casas antigas. Um verdadeiro oásis, praticamente no centro de Curitiba.

A praça João Cândido, um dos marcos do bairro, era antigamente chamada de Praça do Observatório, por sua privilegiada visão e localização, na parte alta da cidade. Nos primeiros anos do século XX, o São Francisco era servido por bondes puxados a burros e mulas. A linha começava na Rua Assungui (atual Mateus Leme), no cruzamento com a Rua do Serrito (hoje Carlos Cavalcanti), passava pelo Largo da Ordem, seguia para a Catedral, alcançava a Rua das Flores até a Praça Osório, e finalmente subia a Comendador Araújo até o Batel.

A Rua Claudino dos Santos, que liga o Largo da Ordem com a Praça Garibaldi, é eixo ee diversão noturna. As casas históricas abrigam bares e restaurantes, e também pontos culturais ou religiosos. As casas noturnas se espalham mais adiante pelo Centro Histórico, até perto da imponente construção da Sociedade Garibaldi, em torno da Praça Garibaldi e adjacências.

Dados do bairro
Área (m²): 1.363.000,00
População Total: 6.435
Comércio: 568
Indústrias: 119
Serviços: 1.100
Área Verde (m²): 49.663,89
Área Verde por Habitante (m²): 7,72
Domicílios: 2.871
Distância do bairro ao Centro (Marco Zero): 856 m
Jardinetes: 02
Praças: 08
Fonte: Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - Dados de 2000 a 2006.

Vale lembrar que a mesma praça é o coração da Feira de Artesanato que acontece todos os domingos de manhã – uma das manifestações mais típicas de Curitiba. Ali se reúnem, toda semana, artesãos em suas barracas, músicos, artistas, população e turistas, em uma colorida e variada feira que começou nos anos 70 e se tornou tradição na cidade.

Já a casa mais antiga de Curitiba, atualmente espaço de cultura e exposições da prefeitura batizada de Casa Romário Martins, foi construída no século XVIII e está nas esquinas das ruas São Francisco e Mateus Leme, no Largo da Ordem.

Outra atração arquitetônica é o Belvedere da Praça João Cândido, que foi construído em 1915, em estilo art-nouveau. Em 1922, abrigou a primeira emissora de rádio do Paraná, a PRB-2. Em 1931, tornou-se observatório astronômico e meteorológico e, a partir de 1962, passou a ser sede da União Cívica Feminina

As Ruínas de São Francisco, na mesma praça, são os remanescentes de uma construção inacabada que seria a Igreja de São Francisco de Paula. Em 1811, a capela-mor e a sacristia ficaram prontas, mas em 1860, as pedras que finalizariam as obras da igreja teriam sido usadas para erguer a torre da antiga Matriz. Existem lendas de que foram construídos túneis ligando as ruínas a outros pontos de Curitiba.